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Informação Sumária 
             
 
Padroeiro: S. Tiago.
 
Habitantes: 236 habitantes (I.N.E. 2011) e 320 eleitores em 05-06-2011.
 
Sectores laborais: Agricultura, pecuária, extracção de granitos e caça.
 
Tradições festivas: Senhora das Dores (Junho), S. Bento (Julho) e S. Bartolomeu (Agosto).
 
Valores Patrimoniais e aspectos turísticos: Igreja Paroquial, espigueiros, Capela de S. Bento, Castelo de Fraião, relógio do sol, moinhos e fontanários, vistas panorâmicas observadas do Monte de Furnas.
 
Gastronomia: Cabrito e Anho assados no forno a lenha, do Monte de Furnas.
 
Colectividades: Associação de Caça.
 
 
 
ASPECTOS GEOGRÁFICOS 
 
 
 
 A ocupar uma área com cerca de 779 ha, a freguesia de Boivão dista, aproximadamente, 12 quilómetros de Valença, a sede do concelho. Os seus limites estão assim definidos: a Norte a Freguesia de Lara, do concelho de Monção, a Sul a Freguesia de Porreiras, do concelho de Paredes de Coura, a Nascente as freguesias de Abedim e Pias, do Concelho de Monção, e a Poente as freguesias de Gondomil e Taião, estas pertencentes como ela, ao concelho de Valença.
 
A Freguesia de Boivão é composta pelos lugares de: Lordelo, Cimo da Vila, Igreja, Paço, Pedreira e Vila Boa. Na vertente económica conta-se com forte componente agrícola de subsistência e existem ainda as explorações graníticas e a produção de madeiras.
 
 
 
RESENHA HISTÓRICA
 
 
 
Como valores patrimoniais refirmos: Espigueiro em granito, Relógio do sol, Moinhos de Água, Castelo de Faião.
 
Situada no sopé do monte, Boivão é atravessada pelo regato do Castelo Fraião, que move os tradicionais moinhos, outrora ligados ao fabrico do pão.
 
O Castelo de Fraião, liga-se à origem da circunscrição administrativa do julgado medieval de Fraião, no qual se incluía totalmente o actual concelho de Valença. Constituía um significativo exemplar de fortaleza românica que se não reformulou na época gótica.
 
O facto de, a partir dos começos do século XIII, todo o interesse estratégico regional se ter deslocado para a linha do rio Minho, para Valença e Monção, deixou-o marginalizado. As formas caprichosas dos seus penedos sobrepostos, os sítios e as memórias dos campos fósseis e do amplo castelo roqueiro, dos abrigos onde ecoam vidas antepassadas e a estadia de animais e a horta da rainha são locais e formas que ajudam a efabulação popular, a qual continua a prestigiar este lugar.
 
    Daqui, exactamente, se conta a bela história da "Princesa de Boivão". A lenda, muito poética, refere a vida de um cavaleiro de nome D. Fraião no combate aos mouros.
 
 "Era caçador e monteiro, e andando um dia em seu cavalo per riba do mar a seu monte, achou uma mulher marinha dormindo na ribeira; e iam ele e três escudeiros, e ela, quando os sentiu, quis acolher-se ao mar, e eles foram-se tanto em pós ela que a filharam antes que se acolhesse ao mar; e depois que a filhou (...) fê-la pôr em uma besta e levou-a para sua casa. E ela era mui formosa e ele fê-la baptizar como Marinha, porque sairá do mar, e assim lhe pôs o nome e chamaram-lhe D. Marinha".
 
    Será este decerto um dos bons caminhos para avaliar-se das origens remotas da freguesia de Boivão: de facto, o nome Fraião deriva de Froilano, nome próprio muito usado até ao século XII.
 
    Actualmente, apenas resta do castelo um aglomerado granítico, imponente embora, que proporciona a visão de uma paisagem magnífica sobre o vale do Minho.
 
Ainda acerca da história desta freguesia podemos ler na integra no livro “Colectivo dos Registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo”: «Em 1320, no catálogo das igrejas do bispado de Tui, situadas no território de Entre Lima e Minho, mandado elaborar pelo rei D. Dinis, para pagamento de taxa, São Tiago de Boivão foi taxada em 100 libras.
 
Em 1444, D. João I conseguiu do papa que este território fosse desmembrado do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, onde se manteve até 1512. Neste ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu a D. Henrique, bispo de Ceuta, a comarca eclesiástica de Olivença recebendo em troca a de Valença do Minho. Em 1513, o papa Leão X aprovou a permuta.
 
No título dos rendimentos dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença, organizado entre 1514 e 1532, sendo arcebispo D. Diogo de Sousa, Boivão rendia 46 réis. Enquadrava-se na Terra de Coura e Fraião.
 
No Memorial feito pelo vigário Rui Fagundes para a avaliação dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença, organizado entre os anos de 1545 e 1549, sendo arcebispo D. Manuel de Sousa, São Tiago de Boivão foi avaliada em 40 mil réis. Pertencia nesse tempo à terra do couto de Sanfins.
 
No Censual de D. Frei Baltasar Limpo, redigido entre 1551 e 1581, diz-se que a metade com cura era da apresentação de padroeiros leigos e a outra, sem cura, do mosteiro de Sanfíns.
 
Segundo Américo Costa, a igreja paroquial de Santiago de Boivão, situada ainda no couto de Sanfins era curato da apresentação do Colégio da Companhia de Jesus de Coimbra.
 
Na Estatística Paroquial de 1862, porém, diz-se ser da apresentação da Universidade.
 
Por Decreto de 13 de Janeiro de 1898, o lugar de Aldeia foi desanexado desta freguesia, passando a pertencer a de Lara, do concelho de Monção».
 
 
 
A Lenda da Mulher Marinha
 
 
 
Há muitos anos, por alturas do repovoamento destas terras conquistadas aos mouros, houve um Senhor de nome Froião, rico-homem da terra a que deu o nome, sendo o primeiro da estirpe D. Froilano. Era ele senhor do Castelo de Froyão.
Um dia, partiu o ilustra Senhor pelos seus montados com três escudeiros, em busca de caça.
Cavalgando pelos montes e vales da sua terra, juntavam e matavam enorme quantidade de animais com que organizavam grandiosos festins no castelo. Era frequente encontrar o javali, a corça, o veado, etc., que eram o regalo dos caçadores. Mas naquele dia, junto ao rio, D. Fraião e os que o acompanhavam tiveram uma visão deslumbrante e inusitada: uma belíssima mulher dormia sobre a erva, mesmo na borda da água! Perante aquela visão, concluíram todos que se tratava de uma mulher marinha. Já ouvira D. Fraião falar dessas mulheres, mas nunca tinha alguma vez visto uma delas. Ali estava uma mulher marinha dormindo. Mandou o fidalgo parar todo o séquito. Desceu da montada e, impondo silêncio a todos, desceu ao rio para ver melhor a mulher que o deslumbrava.
A mulher marinha sentiu os passos do fidalgo, acordando logo de seguida. Ao ver D. Fraião, que se aproximava, e os seus três escudeiros, quis recolher ao mar, fugindo daqueles que desconhecia.
D. Froião compreendeu as intenções da mulher marinha. Chamou os escudeiros e, juntos, foram em sua perseguição, apanhando-a antes que ela se acolhesse no mar, seu lugar próprio.
Depois de a ter apanhado e de a ter coberto com o seu manto, mandou que a colocassem sobre uma besta, levando-a de seguida para o castelo. Por onde passava todos admiravam e beleza daquela mulher. Os olhos de D. Froião, iluminados pela formosura da mulher marinha, deixaram-se conquistar, obrigando o coração a entregar-se aquele amor misterioso. No desejo de desposar a que roubara ao mar. D. Fraião fez baptizar a mulher, dando-lhe o nome de Marinha, porque saíra do mar. A partir do dia do seu baptismo chamaram-lhe D. Marinha, nome que deixou marcado nas terras onde passou a viver com o seu amado Senhor.
 
 
 
Fonte consultada: Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, Dicionário Enciclopédico das Freguesias, vol.1. e Livro Lendas do Vale do Minho.
 
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